10/03/2010

O Sexo Dominante

Não adianta contestar. Entenda por que as mulheres já são a maioria nos cargos de chefia e saiba como esse fenômeno social e de mercado pode mudar sua vida profissional


O sexo dominante

Quando a psicóloga Silvana Case decidiu trabalhar na área de consultoria em Recursos Humanos, há 20 anos, tornou-se uma das primeiras mulheres no país a competir em um segmento até então dominado por profissionais do sexo masculino e sentiu na pele a resistência dos colegas de profissão. Na época, a situação para as mulheres que se aventuravam no mercado de trabalho era de dificuldades: poucas oportunidades, ocupação de cargos menos valorizados e salários nada atraentes. Silvana é vice-presidente da Catho Consultoria em RH, especializada no recrutamento e seleção de profissionais para empresas nacionais e estrangeiras, e hoje atesta no dia a dia uma realidade muito diferente. A distinção de sexo, mesmo para cargos de liderança, é coisa do passado. Ponto para as mulheres. Elas conseguiram conciliar atividade profissional e família,  qualificar-se e provar competência, mesmo em áreas antes restritas aos homens

Pollyanne Lessa - “A maternidade me tornou mais eficiente”

Imagine sentar-se na cadeira de diretora de uma empresa centenária, aos 28 anos de idade, para comandar duas fábricas, mais de 700 funcionários e produção superior a 1,5 milhão de metros de  tecidos por mês,  além de 150 toneladas de malha, parte comercializados para o exterior. Foi o que aconteceu com a economista Pollyanne Lessa,
em 2003, quando assumiu a diretoria da  Horizonte Têxtil.  Filha do fundador do grupo VDL, que adquiriu a fábrica de tecidos nos anos 90,  Pollyanne vinha sendo preparada pelos  acionistas para o cargo, desde que entrou na empresa, quando tinha apenas 21 anos. Cursou MBA em gestão, trabalhou em várias áreas para conhecer melhor o negócio,  mas a saída repentina de um ex-diretor (do sexo masculino) precipitou a ocupação do cargo mais alto da fábrica.   “Embora repentina, a transição foi tranquila. Conhecia a fábrica e contava com o apoio das pessoas”, comenta. Passou a trabalhar até 14 horas por dia e enfrentou momentos difíceis de mercado para a indústria têxtil. A concorrência com os tecidos importados, que chegam aqui a preços bem mais baixos, exigiu decisão e reposicionamento da Horizonte Têxtil, que esteve ameaçada de fechar. A estratégia foi inovar e apostar na qualidade, para oferecer diferenciação. A fábrica passou a produzir estampas exclusivas para grifes. Com a crise de 2008, diversificou para o segmento de malha. Resultado, o faturamento de 2009 foi um melhores da história da empresa. “Quase todo o setor têxtil sofreu forte queda, após a crise”, diz ela. “Nossa empresa foi uma exceção”.
 
Com decisões rápidas e se valendo da sensibilidade feminina que lhe permitiu enxergar oportunidades no mercado de moda, Polyanne fez sua empresa crescer e se tornar referência junto às confecções. A consequência pessoal é que, hoje, ninguém duvida do potencial da executiva. Atualmente, ela dividi o tempo entre a fábrica, o marido e o pequeno Yuri, de apenas 2 anos. “A maternidade me deu mais maturidade e eficiência”, afirma. “Afinal, preciso ser mais  objetiva para gerenciar meu tempo”.

“Agora, o que vale mesmo na hora de contratar é a qualificação para a função, interesse e capacidade de trazer resultados, independentemente de sexo”, diz Silvana.  Uma visão difícil de imaginar até há bem pouco tempo, e que é comprovada por pesquisa realizada pela Catho, no ano passado, com mais de 100 mil executivos das principais capitais do país. Outro dado surpreendente – pasmem – foi apurado: as mulheres já são maioria entre os que ocupam cargos de chefia (52,7%), como coordenadoras e supervisoras. No entanto, o predomínio dos homens se mantém no mais alto escalão. Mais da metade dos presidentes, diretores e gerentes gerais são do sexo masculino. Mas atenção: esse predomínio vem caindo ano após ano. “A liderança feminina é cada vez mais reconhecida em todos os segmentos”, diz Silvana. “E a tendência é de crescimento, inclusive nos mais altos postos”.

Kátia Massimo

www.revistaencontro.com.br/edicao/105

Fonte: Revista Encontro
Publicado em: 11/02/2010

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